e o eterno vazio espaçoso...

domingo, 24 de junho de 2007

pesadelo

sonhar:
do Latim somniare < somniu, sonho
v. int., ter sonhos;
dormir sonhando;
entregar-se a fantasias e devaneios;
ter ideia fixa;
v. tr., ver;
imaginar em sonhos;
supor;
prever.

pelo verbo intransitivo, sim. dormi, me entreguei, com uma idéia mais do que fixa. foi o começo. dançávamos uma valsa só nossa. eu inventei. tu gostastes. ah, assim é legal. viajávamos. tu eras minha companhia. vou com você. então vamos? depois me perdi, que vazio senti. quando voltei, só queria te encontrar, ouvir tua voz, olhar nos teus olhos. estava no fim. era o fim. é o fim.
no transitivo tudo é mais incerto. vejo meus dias contados, imagino duas pessoas, suponho uma pequena fechadura. mas o que prevês? o que pensas? o que queres? e quanto a mim? o que tenho em mente? fui pego em minha própria armadilha, fui pego em contradição. sonhar... somniare... somniu.

eu sonho
tu sonhas
ele sonha
nós sonhamos
vós sonhais
eles sonham

eles sonham com um mundo melhor. vós sonhais com a felicidade. nós sonhamos com o sucesso. ele sonha... com o que ele sonha? tu sonhas com um príncipe encantado. eu sonho com você. exausto.

quinta-feira, 21 de junho de 2007

sol?

somente aqueles que compreendem esse gesto simples poderão viajar até as estrelas e enxergar o universo que me acalma. um espaço à tua volta, num tempo indeterminado. mas por que inventaste esse eclipse? não vês o frio que me faz?

domingo, 17 de junho de 2007

nostalgia 2

complicado é quando o passado vem como se fosse realidade. pensamentos que pregam peças. confusões de personalidade. conflitos de idéias. é você? é você de novo? e quem venceu desta vez? eu pareço o mesmo de sempre? por que insiste? você não sabe nada. nunca entendeu. mentiras...

"Ah, ah ah, ah ah, ah!

Ah, ah ah, ah ah, ah!

You must think I'm a fool
So prosaic and awkward and all
D'you think you've got me down?
D'you think I've never been out of this town?

Do I seem too eager to please to you now?
You don't know me at all
I can't turn it on, turn off like you now
I'm not like you now


Now that you're here
I bet you're wishing you could disappear
I'm trying to be kind
I get the feeling you're just killing time

You look down on me
Don't you look down on me now
You don't know me at all
A slap in the face
In the face for you now
Just might do now

You're leaving so soon
Never had a chance to bloom
But you were so quick
To change your tune
Don't look back
If I'm a weight around your neck
Cos if you don't need me
I don't need you

Ah, ah ah, ah ah, ah!
Ah, ah ah, ah ah, ah!

Leaving so soon, soon
Leaving, leaving so, soon

You're leaving so soon
Never had a chance to bloom
But you were so quick
To change your tune
Don't look back
If I'm a weight around your neck
Cos if you don't need me
Then I don't need you

Ah, ah ah, ah ah, ah!"

_Keane - 'Leaving So Soon?'

segunda-feira, 4 de junho de 2007

luto

foi nesse momento que o céu alaranjado, de uma aurora pertinente, se manchou de negro. escureceu. o sangue arroxeado mostrou o vazio deste entardecer. o obstinado vazio espaçoso. e foi neste cenário que ela chegou. seu cheiro inconfundível. sua voz estridente. carregou-o em seus braços e o levou pra longe. partiu, e abandonou os corações apavorados. dor.

só pra reforçar:

LUTO!

por um fato inexplicável.
por uma família abalada.
por amigos chocados.
por corações cansados.
por rafael ruiz.

fica com Deus, calouro! calouro emo. muito querido! ;/
muita força, gente!

notas

pequenas observações a respeito do meu blog:
1. não sou melancólico. não sempre.
2. não aprendi a chorar. não do jeito certo.
3. não aprendi a escrever.
4. escrevo, quando algo me deixa vazio.
5. me faz evitar a tristeza.
6. me preenche.
7. me faz querer aprender a escrever.
8. é uma pena eu ser preguiçoso.
9. não estou apaixonado. não sei o que é isso. não de verdade.
10. um dia pretendo.

fortaleza

e enfim surgiu o caminho das pedras.
estava ali, parado, me olhando.
caiu uma tempestade.
ele continuou ali.
observei-o. ele me convidou.
veio um furacão.
ele continuou ali.
continuei a assistí-lo. como um bebê em frente a tv. me desafiou.
entrei.
o sangue dos meus pés o aqueceu.
minhas águas escorreram. ele tinha sede.
me sugou. me secou.
e na última gota, na mais bela epifania, ele se transformou em areia.
o caminho das pedras virou areia.
rochas se derreteram. e agora... macias.
e foi aí que quase sem forças, ergui meu castelo.
o castelo de areias. o castelo de lágrimas.
meu castelo, minha fonte, meu poço.

domingo, 3 de junho de 2007

polar

essas águas caem como katanas, de um fio fino, de um corte seco. derramam como o sangue azul dos seus olhos, queimam ao zero absoluto. além de Kelvin, além de qualquer teoria, além de qualquer justificativa.
o frio arde. como as chamas de um fogo branco. em neve. em flocos.
e meus pulmões fraquejam. o ar é difícil, é rarefeito, estreito como o vazio das suas palavras, como a ausência do seu olhar. mas que mesmo assim me enchem de um nada espaçoso. me anseiam como as vertigens de uma fobia. de um aperto nostálgico.
o frio sufoca. como uma corrente de cóleras. como coleiras sem guias.
e me resta apenas uma voz trêmula, sem alvo. palavras à luz em escuridão profunda. a garganta está seca, está farta. a fadiga invadiu os colossos mais ápices, e mergulhou nas mais abissais depressões.
o frio cansa. e me faz suar sangue.
e meus pés congelados. como raizes de um carvalho seco. presos à terra à espera da queda, que jamais chega. meus pés querem andar. querem correr à sua volta.
o frio tranca. travou meus movimentos.
e onde está você agora? o sol da minha manhã. o banho quente da minha noite. pra onde foi? que me falta como abrigo. que me soltou em vácuo eterno e congelou meu cobertor. que deixou minha mente nos polos. o anjo sexuado. com asas de imaginação. com áurea de rainha, de princesa... onde está? que quero te abraçar e te cuidar. como um escudo repleto de calor, coberto de amor. quero te livrar desse frio que me mata. quando vais entender? quando verás que o frio dói?
meu sangue é quente e o frio dói.
meus olhos não mentem. meu frio dói.
e decifram. o seu frio dói.