chocolate
e um dia você descobre que aquilo tudo não passou de uma ilusão. que viver eternamente naquela doce mesmisse passou despercebido, e o doce agora é amargo. amargo como eu gosto do chocolate. com a mais profunda intensidade. que esse sonho já foi encantador, já foi pesadelo e já foi insônia, já foi pesado e já é passado. passado, que não volta mais, nunca mais. o nunca de tantos, o único nunca. e os ventos alísios trouxeram o frio, trouxeram novidades. levaram o calor daquele lençol, o calor daqueles braços. e levaram o doce, que agora é amargo... amargo. mas carregaram também o enjoo, e meus pés se postaram no chão. carregaram o medo, e o tal labirinto de flores secou. flores selvagens, flores vermelhas, rosas vermelhas, rosas sangrentas. de um veneno amargo... amargo. o doce veneno também se tornou amargo. um veneno viciante, que não tem soro. mas esse tal coração apaixonado, que ainda faz do meu sangue veneno, que corre e que corrói se perdeu, e ainda não apontou. ficou no lençol, ficou nos abraços. e ainda não é amargo. amargo como tudo deve ser. porque o doce, já não era o bastante e virou amargo. amargo como eu gosto do chocolate.
