e o eterno vazio espaçoso...

domingo, 3 de junho de 2007

polar

essas águas caem como katanas, de um fio fino, de um corte seco. derramam como o sangue azul dos seus olhos, queimam ao zero absoluto. além de Kelvin, além de qualquer teoria, além de qualquer justificativa.
o frio arde. como as chamas de um fogo branco. em neve. em flocos.
e meus pulmões fraquejam. o ar é difícil, é rarefeito, estreito como o vazio das suas palavras, como a ausência do seu olhar. mas que mesmo assim me enchem de um nada espaçoso. me anseiam como as vertigens de uma fobia. de um aperto nostálgico.
o frio sufoca. como uma corrente de cóleras. como coleiras sem guias.
e me resta apenas uma voz trêmula, sem alvo. palavras à luz em escuridão profunda. a garganta está seca, está farta. a fadiga invadiu os colossos mais ápices, e mergulhou nas mais abissais depressões.
o frio cansa. e me faz suar sangue.
e meus pés congelados. como raizes de um carvalho seco. presos à terra à espera da queda, que jamais chega. meus pés querem andar. querem correr à sua volta.
o frio tranca. travou meus movimentos.
e onde está você agora? o sol da minha manhã. o banho quente da minha noite. pra onde foi? que me falta como abrigo. que me soltou em vácuo eterno e congelou meu cobertor. que deixou minha mente nos polos. o anjo sexuado. com asas de imaginação. com áurea de rainha, de princesa... onde está? que quero te abraçar e te cuidar. como um escudo repleto de calor, coberto de amor. quero te livrar desse frio que me mata. quando vais entender? quando verás que o frio dói?
meu sangue é quente e o frio dói.
meus olhos não mentem. meu frio dói.
e decifram. o seu frio dói.

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