e o eterno vazio espaçoso...

quinta-feira, 18 de março de 2010

uhul!

difícil explicar. mas é incondicional, não pela intensidade de uma paixão, mas pela fidelidade de um amor. é as vezes irracional, não pela ausência de tato, e nem pela falta de controle, mas pela fé em grandes corações. pra falar a verdade é simples, como as coisas deveriam ser, como eu gosto, pra poder complicar. tornando-se incompreensível, pela surrealidade dos fatos, pela mais pura beleza de um mistério. não pela curiosidade em si, mas pela cumplicidade dos sentimentos. assim é também irreverente, o desejo é repartido, e a unicidade nos fortalece. a verdade neste amor, não está nas palavras ditas ou escritas, nem nos gestos delicados que surpreendem. está na amizade ao estar junto, e na saudade ao se encontrar longe. e se nos disserem da imaturidade nas atitudes, riremos. e diremos do universo que construímos juntos. e cantaremos em coro, desafinados. mas felizes. feliz dia do amigo, amigos.

versão especial.

segunda-feira, 15 de março de 2010

bom dia

uma boa noite pra vocês senhoras e senhores, mas um bom dia pra vocês, formandos de relações públicas...
é! quem não viu que o nosso hoje já é dia? bom dia! quem não viu o sol chegando e sapecando a nossa cuca? quem não viu olha a janela... abre a janela. abre aí. olha a grama molhada, escuta o galo cantando. olha a pomba ciscando, olha o 305 passando. caramba, passou. já passou. mas tudo bem. pega o carro que o dia já tá aí. vem, vamo aí. deixa o ontem pra lá, vem pra cá. vem que o dia tá quente, vem que a uel já sorriu aqui pra gente. não sorriu? não nos mostrou um caminho bonito? quem não colheu dessas flores? quem não comeu desse fruto? quem não bebeu dessa cana e acordou de ressaca? é ressaca! o que você tá sentindo é ressaca. ressaca da brava. daquela que você não quer levantar. quer ficar lá deitado, dormindo, sonhando. tá sonhando com ontem. com aquele dia bonito subindo no palco, subindo pintado. a cara pintada, a cabeça raspada. as pessoas gritando seu nome! que nome? como cê chama? cê lembra? cê lembra de ontem? e mais tarde de tarde? cê lembra? da gente brincando de corte... e corta daqui e corta de lá. tem que cortar pra apresentar. você tem dois minutinhos, mocinho, pode começar! bom dia, meu nome é dannyel... obrigado, já pode sentar. senta e relaxa, o evento já tá pra rolar. quer parar de brigar? a gente é uma classe! escreve esse texto e manda pra mim! organiza esse trem, tá no fim! termina, nem que seja de madrugada! esse relatório não é de nada. é mulecada, tem trabalho hoje à noite. tem os três pês, tem trabalho de monte. tem o pê de pesquisa, o pê de pesquisa e o pê de o que mesmo? bom dia! ah, mas que porre. chega disso aí. quero brincar de outra coisa. quero brincar de mercado! quero virar gente grande! ganhar meu dinheiro, quero ser engenheiro! não! quero ser rp, é verdade! quero ser rp de verdade! mas o que é rp na verdade? conta pro pai, pro vizinho. é o esforço, deliberado, planejado, coeso, con...com quem? quem decorou tudo isso? vai cair no concurso? que concurso que nada! hoje tem tcc de madrugada! prepara um café, que tá foda. hoje a gente termina, essa... coisa. bom dia! que coisa! isso nunca acaba! ah, mas acaba! tanto acaba que do nada, acabou! a gente dormiu, a noite chegou. acabou! bom dia! e aí? lembrou bem de ontem? acabou! só nos resta a lembrança! só nos resta a memória! que memória?! chega de memória. já parei com isso aí. acabou! vem pro hoje. vem aí... medo do que, coração? nossa hora chegou, nosso sol já raiou. o momento é agora. levanta daí, senta aqui. vem conversar. conta uma história da ilha, aquela sozinha, aquela solteira. conta alguma do sul com aquele sotaque. aquele do dente, do leite quente! ei, mas conta de novo aquela piada. conta aquela do peixe caindo. e solta depois aquela risada. sua cidade chama isso por que tem muita água? mas conta direito, conta com fé. conta quantos filmes você viu no domingo. maso nómido film-é assim cuesse ‘uai’? e se você contar lá de ourinhos? ourinhos é o bicho? ah pó pará, cê é mimado demais! fala pra mim de outra coisa, pode ser da formatura. conta das contas. conta o que eu devo. me passa outra rifa. pra vender é facinho! tem gente que vende até no barzinho. pode vender, eu to aqui pra beber. só não gosto de beber sozinho! chama todo mundo, chama também o pessoal do noturno. chama eu que também sou dalí. o salvador! surreal! abstrato! eu mudei de turno. mas teve mais gente que fez desse trato. chama aí a galera, chama os calouros! chama também esse povo mais velho, pode vir veterano! não enrola, vem logo! tira essa pedra do meio do caminho, deixa esse carlos falando sozinho. vem dividir isso comigo. vem animar essa festa! vem, que logo logo, essa também acaba! aproveita. não perde esse tempo! cada momento é único, jamais haverá outro igual. aproveita bem cada detalhe. como diz um amigo: uma foda adiada é uma foda perdida. embora nada dure para sempre, um momento bem vivido é guardado eternamente.
bom dia formandos de relações públicas! o meu desejo de bom dia pra vocês é os parabéns que vocês merecem! um novo dia repleto de sucesso e alegria. um dia de muita disposição e força de vontade! um dia pra durar para sempre! como o dia de ontem, que em mim, vai durar eternamente.


texto em homenagem aos formandos de relações públicas da universidade estadual de londrina, turma 2009.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

amor d'amizade

a amizade é incondicional, não pela intensidade de uma paixão, mas pela fidelidade de um amor. é também irracional, não pela falta de tato, e nem pela perda de controle, mas pela fé em um coração. simples, como as coisas deveriam ser, como se gosta, pra poder complicar. o amor na amizade não está somente nas palavras ditas ou escritas, nem tampouco nas atitudes fúteis do dia-a-dia. está sim, e assim o penso, na oferta, que acima de um compromisso, é mais que o próprio amor, o sentimento de quem ama. é o querer próximo quando estreitos já foram cruzados. é o querer distante, quando estreitos foram inundados. é saber que isso durará apenas algumas horas, dentro das infinitas em belo estado. é o sorrir junto e o sorrir de longe. é o sorrir, mesmo quando não se sorri. é o dividir. é o querer saber. é o querer controlar, sem saber. é a raíz forte, aquela que se mantém, quando as outras escorregam. é o achar que escolheu sem perceber que foi escolhido. a amizade não é encontrada no caminho que se anda. ela é o próprio caminho percorrido. só aqueles que conhecem o valor de uma amizade, conseguem amar de fato.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

esfinge

eu não vim pra dar boas notícias, não sou eu o bom mensageiro. também não vim pra lhe fazer rir. eu não sou um bom lugar. vim para secar rios, mas também vim pra fazer enchentes. vim porque assim foi combinado. eu chego perto, eu chego em silêncio. e próximo eu vou. vou quando o tempo é pouco. saio quando morre meu bem. sou de lua, sou do sol. sou de todos que querem ser. e ainda assim, não sou de ninguém. até o fim do dia, direi boa noite, até o fim, saberás quem sou.

domingo, 17 de agosto de 2008

asma

você pede pra deixar acontecer e não ve que o que acontece dói. eu te peço tempo, e tudo que encontro são bombas relógio. você brinca com as palavras e não ve que o que está em jogo é o que eu sinto. eu te peço espaço, mas esse vazio me sufoca. não consigo encontrar a corda. não tenho forças pra ficar de pé. eu já não entendo mais o que sou. eu já não me conheço. eu tento olhar em volta e sorrir, mas meu sorriso virou armadilha, meu próprio sorriso me trai. você diz que seu sol já não há, mas foi ele quem sapecou os meus sonhos e incinerou meu coração. você quer proteção, mas já derrubou todo o castelo que eu construí. e eu não encontro mais as peças. é tudo tão escuro agora. tudo tão frio. meus pés congelaram. quando eu pedi para o tempo parar, eu mesmo parei no tempo. e o tempo que deveria curar me corrói. aprendi a fazer os outros chorarem. e eu já não aguento ser causa. eu não aguento ter culpa. você diz que é difícil, mas o pêso da solidão não está do seu lado. por que continuo fingindo? por que continua mentindo?

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

miopia

e foi quando eu não consegui mais ler seus olhos que eu me perdi.

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

a menina e o pássaro

1 ao tentar voar novamente, o passarinho caiu e se machucou. mas dessa vez foi pego de surpresa. algo diferente aconteceu. uma menininha se aproximou, o acolheu e dele cuidou. o passarinho aprendeu a amar a menininha. a menininha o tratava de um jeito especial. o tempo passou e o passarinho se perguntava o por que de todo esse carinho. com o tempo, o passarinho se curou. um dia a menininha levou seu passarinho para um lugar onde ele nunca tinha ido. o passarinho viu que podia voar, viu que podia ir longe. era o que ele precisava. e ao ver sua menininha olhar de um jeito tão especial, não teve dúvidas. ele queria levá-la. queria que ela voasse junto com ele para sempre. mas a menininha tinha outros planos e o passarinho não pode compreender seu papel. ele se magoou. ele tentou fugir mas tropeçou. ele não conseguiu voar. ao vê-lo assim, a menininha agarrou o passarinho para cuidar dele de novo. mas a menininha não compreendia, que isso estava machucando ainda mais o passarinho. ele queria voar. ele precisava voar. ele precisava voar para se curar. e sua gaiola já era pequena demais para ele...
2 "a garotinha vai sentir saudades do passarinho cantando ao pé do ouvido dela, só pra ela, e ela sabe que era só pra ela. e ela sente muito por ter sufocado tanto o passarinho, e de querer ele só pra ela. mas é que ela acostumou com o passarinho só pra ela, e dividir era seu maior medo. mas o passarinho um dia teve que ir embora, e a garotinha chorou, chorou, sem entender. mas ela sabe que um dia o passarinho vai voltar, não com as mesmas penas. mas com o mesmo canto, que tanto fez a garotinha feliz."
"que seja doce" dizia a menina.
"será" disse o pássaro ao voar.